A morte é um dia que vale a pena viver – Ana Claudia Quintana Arantes

Dia cinco de fevereiro desse ano perdi uma pessoa que amava muito, minha madrinha de batismo Elza, depois de anos de luta contra a leucemia ela se foi, estava cansada, exausta mesmo. Ela teve vários momentos de muita fé, de clamor ao Senhor pedindo forças para continuar lutando, mas também teve seus momentos de descrença, de desânimo, pois sabia que na terra tudo estava sendo feito, porém a doença continuava aumentando com força total, mesmo com os vários remédios que tomava todos os dias.

Em uma das visitas que a fiz no hospital ela me disse: “tem hora que quero desistir, só não faço por causa dos meus filhos, é por eles que continuo lutando”. Mãe forte, guerreira, trabalhadora, fazia de tudo por seus filhos, os defendia como uma leoa, dava amor, carinho, foi mãe até seu último suspiro, e eles foram o motivo para querer viver. Muito amada e querida por todos, sua partida causou muita dor aos familiares e amigos, mas também um conforto por saber que finalmente ela teria o descanso eterno.

É sobre esses últimos momentos de vida que a geriatra e gerontologista Ana Cláudia fala em seu livro. Sendo ela uma das maiores referências sobre Cuidados Paliativos no Brasil, tem consciência do respeito e empatia que o doente e seus familiares necessitam nesse momento de angústia e sofrimento.

“Ter alguém que se importe com nosso sofrimento no fim da vida é uma dessas coisas que trazem muita paz e conforto para quem está morrendo e para seus familiares. ”

O carinho e respeito que autora tem por seus pacientes fica demonstrado no livro através das histórias que narra. Apesar de todo sofrimento presente, quando a dor passa a vida se manifesta, aí vem o momento de proporcionar o bem-estar através do conforto físico, emocional, familiar, social e espiritual.

“Se a pessoa que está morrendo se sente valiosa, no sentido de ser importante, de fazer diferença na própria vida e sentir que está fazendo diferença na vida de quem está cuidando dela, ela honrará esse tempo. ”

O título desse livro pode assustar, já que não temos o costume de falar sobre morte, não gostamos de pensar nela, sempre achamos que ela está distante, temos medo de morrer e de perder quem amamos, mas esse livro fala da vida, para a Ana Claudia a morte é uma ponte para a vida. Para quem está com os dias contados, mas também de quem não sabe de quando ela vai ocorrer, o livro é uma linda reflexão sobre como estamos levando nossos dias aqui na terra.

“O medo não salva ninguém da morte, a coragem também não. Mas o respeito pela morte traz equilíbrio e harmonia nas escolhas. Não traz imortalidade física, mas possibilita a experiência consciente de uma vida que vale a pena ser vivida, mesmo que tenha sofrimentos aliviados, tristezas superadas por alegrias, tempo de beber para celebrar, de fumar para refletir, de trabalhar para realizar-se. Mas tudo na medida boa, na medida leve. ”

Como estamos vivendo nossa vida? Estamos sempre adiando nossa felicidade, desperdiçando tempo de vida com escolhas ruins, deixando para viver e ser feliz depois quando o fim de semana, as férias ou a aposentadoria chegar. A vida acontece diariamente, ao respirar há vida, então temos que vivê-la intensamente todos os dias.

“O que separa o nascimento da morte é o tempo. Vida é o que fazemos dentro desse tempo; é a nossa experiência. ”

No livro há também o momento de falar sobre a fé e espiritualidade. Fé que faz com que os momentos difíceis que passamos não sejam tão pesados, que pressupõe entrega, pois quando temos fé em Deus temos a certeza de que o que ocorreu foi o melhor que podia acontecer. Já em relação a espiritualidade, segundo a autora:

“O que faz girar esse eixo de espiritualidade dentro de cada um de nós é o Amor e a Verdade que vivemos com integridade. O Amor que sentimos, pensamos, falamos e vivemos. Não importa qual é a nossa religião, não importa se acreditamos ou não em Deus. Se a nossa espiritualidade estiver sobre uma base do Amor e Verdade, vivenciados e não somente conceituados, não importa o caminho que escolheremos, a vida dará certo. Sempre. ”

Todos nós queremos ser felizes e ser amados, ter uma vida repleta de amor e realizações, como não sabemos quando será nosso fim devemos demonstrar o que sentimos aos que amamos, sem máscaras ou arrependimentos.

“Talvez o jeito mais fácil de viver bem seria se pudéssemos incorporar no nosso dia estas cinco nuances da existência: demonstrar afeto, permitir-se estar com os amigos, fazer-se feliz, fazer as próprias escolhas, trabalhar com algo que faça sentido no seu tempo de vida, e não só no tempo de trabalhar. Sem arrependimentos. ”

Ninguém está preparado para perder alguém que ama, por mais que saiba que o fim dela esteja próxima a dor da perda sempre será muito grande e ela não se amenizará tão facilmente, já que os dias virão e a ausência de quem amamos se fará presente. Cada um vive o luto a sua maneira, ele é proporcional ao amor e as experiências que vivemos, devemos nos permitir senti-lo e vivê-lo do nosso jeito, só nós sabemos como superá-lo.

“As lágrimas são feitas de água salgada como o mar. Chorar essa emoção é como tomar banho de mar de dentro para fora. ”

Enfim, esse livro levá-nos a refletir sobre nossa vida, o tempo, prioridades, quem somos e como construímos nossa história, e levá-nos a fazer as modificações necessárias para que a vivamos plenamente, enquanto ainda há tempo.

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