Roube como um artista – 10 dicas sobre criatividade (Austin Kleon)

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“Poetas imaturos imitam; poetas maduros roubam; poetas ruins desfiguram o que pegam e poetas bons transformam em algo melhor, ou pelo menos diferente. O bom poeta amalgama o seu furto a um conjunto sensível que é único, completamente diferente daquele de onde foi removido.” T. S. Eliot

O autor inicia o livro com duas situações, uma de Pablo Picasso “arte é furto”, e a outra é a acima mencionada de T. S. Eliot, que de cara já nos fazem refletir, nesse mundo em que vivemos em que é difícil encontrar algo realmente original. Roube como um Artista vem nos mostrar que não há problema algum em você “roubar” a ideia de alguém, entregue-se a influência. A criatividade está em toda parte a disposição de todos, basta sermos nós mesmos, que o que seria somente uma cópia acaba se tornando algo original.

Importante dizer que “roubar” no conceito usado pelo autor não se trata de subtrair ou plagiar o conteúdo de alguém e fazê-lo passar por seu, o que é deplorável, tampouco a mera imitação, mas trata-se sim de transformar as ideias de forma a dar ao mundo algo que só você poderia conceber.

Com base em sua experiência o autor dá dez dicas para sermos mais criativos.

1. Roube como um artista – nada vem do nada, nada é totalmente original. Você é a soma de suas influências. Estando ou não na escola, é sempre sua tarefa melhorar sua educação. Mantenha um arquivo de furtos.

Isso me lembrou muito as aulas do Murilo Gun, professor de criatividade, que usa a palavra combinatividade: “nada se cria, tudo se combina”. Somos todos influenciados pelo mundo em que vivemos, pelas pessoas com quem mais convivemos. Nós temos nossas referências de sucesso e felicidade, use-as para trazer para sua vida o sucesso e felicidade que tanto deseja. Seja curioso, busque o que já disseram sobre suas ideias; faça anotações.

2. Não espere até saber quem você é para começar – síndrome do impostor: fenômeno psicológico no qual as pessoas ficam incapazes de internalizar suas realizações. Finja ser algo que não é até ser. “Se você copia de um autor isso é plagio, mas se você copia de muitos, é pesquisa. ”(Wilson Mizner).

Nesse item não tem como não lembrar da minha época da faculdade, minha orientadora levava muito a sério as pesquisas bibliográficas que fazíamos e alertava constantemente sobre fazer cópias e sobre o impacto negativo que o plágio de trabalhos causava na vida dos estudantes, ela sempre dizia para escrever o que eu entendia, com minhas palavras, e sempre que fizesse a cópia literal teria que indicar a fonte.

3. Escreva o livro que você quer ler – escreva sobre o que você gosta, desenhe a arte que você quer ver, comece o negócio que quer gerir, toque a música que quer ouvir, escreva os livros que quer ler, crie os produtos que quer usar, faça o trabalho que você quer ver pronto.

Quantas vezes você já procurou algum livro sobre determinado assunto e não encontrou? Ou procurou sobre algo na internet sem sucesso? Escreva àquilo que quer ler, quantas vezes deixamos de fazer algo por nos preocuparmos demais sobre o que os outros vão pensar, ou nos prendemos a rótulos que criamos a nós mesmos. Nunca iremos agradar a todos mesmo, então simplesmente faça. Como disse Elizabeth Gilbert no livro A Grande Magia ninguém vai dar um soco na sua cara por que seu vídeo no youtube ficou ruim. Então, arregace as mangas e faça.

4. Use suas mãos – rabisque no papel, corte-o e cole os pedaços de volta. Assim que começar a ter suas ideias, você poderá se mudar para a sua estação digital e usar o computador para ajudá-lo a executa-las e publicá-las.

Eu gosto muito de papel e caneta, não consigo escrever um artigo só no computador, escrevo no meu caderno e depois transcrevo para o computador. No papel sou livre. Escrever estimula os sentidos e a ideias fluem melhor. Depois de digitar o artigo eu o complemento, acrescento ou retiro coisas.

5. Projetos paralelos e hobbies são importantes – pratique a procrastinação produtiva, pessoas criativas precisam de tempo para sentar e não fazer nada. Não jogue fora nenhuma parte sua.

Vejo o quanto tirar um tempo sem ter uma ocupação faz um bem danado, gosto de ir à sacada do meu apartamento ou ficar um tempo na janela só observando o movimento dos carros, sem pensar em nada, um momento só meu, nem que seja por um curto período antes que alguma criança venha me chamar. Já nos fins de semana, aqui em casa procuramos sair, ir ao parque, conhecer alguma cachoeira,  sentir a natureza, respirar novos ares, recarregar as energias.

6. O Segredo: faça um bom trabalho e compartilhe-o com as pessoas. Aproveite seu anonimato enquanto durar. As pessoas adoram quando você entrega seus segredos e, às vezes, se você for inteligente, elas o recompensam comprando as coisas que você vende.

Isso tem um pouco a ver com a ideia de criação do blog. Compartilhar um pouquinho da nossa vida, as coisas que fazemos para nosso desenvolvimento pessoal e convívio familiar, para que outras pessoas se sintam motivados a também buscar fazer algo que tenha vontade, mas que está guardado, encaixotado, pegando poeira.

7. A geografia não manda mais em nós – construa seu próprio mundo. Cerque-se de livros e objetos que ama. Saia de casa. Seu cérebro fica confortável demais no cotidiano que o cerca. Viajar faz o mundo parecer novo, e quando o mundo parece novo, nosso cérebro trabalha com mais empenho. Você tem que achar um lugar que o alimente criativa, social, espiritual e literalmente.

Aqui em casa quando estamos cansados e estressados buscamos o verde, ir ao parque, visitar cachoeiras, viajar, precisamos dessa válvula de escape e vemos o quanto isso faz bem para todos, as crianças amam, voltam mais criativas e cheias de ideias e eu e André revigorados.

8. Seja legal (o mundo é uma cidade pequena) – faça amigos, ignore inimigos. Se você alguma vez perceber que é a pessoa mais talentosa na sala, está na hora de achar outro lugar para você. Você não pode ficar procurando validação em fontes externas. Uma vez que coloca seu trabalho no mundo, você não tem controle sobre como as pessoas reagirão a ele.

As pessoas insistem em continuar com amizades que não lhe fazem bem, amigos invejosos, que criticam tudo que você faz. Não importa a quantidade de amigos que tem e sim a qualidade, busque pessoas que estejam na mesma frequência de você, caso contrário eles irão criticar tudo que fizer e disser, aceite as críticas construtivas e ignore aquelas que não te agregarão nem um valor.

9. Seja chato (é a única maneira de terminar um trabalho) – cuide de você. Precisa-se de muita energia para ser criativo. Você não vai ter essa energia se gastar com outras coisas. Fique longe de dívidas. A inércia é a morte da criatividade. Você tem que manter o ritmo. Arranje um calendário para você, ele ajuda a planejar o trabalho, dá objetivos concretos e mantem consciente o percurso. Case bem.

Aprender a dizer não, gastamos muito tempo tentando resolver o problema dos outros, compramos briga que não é nossa. Saber lidar com dinheiro é um item de extrema relevância, gastar menos do que ganha, para não perdermos tempo nos martirizando e estressados por não conseguir pagar as contas. Arrume um companheiro que tenha os mesmos valores que os seus.

10. Criatividade é subtração – escolha o que deixar de fora para se concentrar no que é realmente importante. Precisa aceitar suas limitações e seguir adiante. Escolha com sabedoria e divirta-se.

Procure deixar de fora vícios que te impedem de seguir em frente e conquistar a vida que sempre sonhou.

Esses são os dez conselhos do livro Roube como um Artista, cuja leitura eu recomendo a todos que querem tirar suas ideias do papel.

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