Acordar cedo

“O primeiro ritual que você faz no dia é o ritual com maior alavancagem, de longe, pois ele tem o efeito de configurar sua mente, e de configurar o contexto, para o resto do seu dia.” (Eben Pagan)

É incrível como uma mudança simples em nossa rotina pode fazer uma grande transformação em nossa vida.

Há muito tempo sentia vontade de ler mais, mas como mãe em tempo integral e dona de casa, estava difícil encontrar horário para mim. Como as crianças e os afazeres domésticos consumiam todo meu tempo, pensar em ter um tempo para meu desenvolvimento pessoal era quase missão impossível.

Só conseguia ouvir os podcasts e audiobooks ( assunto para um outro artigo), mas sentia que não era o suficiente, queria mais conhecimento.

woman on hammock reading book
Foto por andres chaparro em Pexels.com

Há anos André acorda de madrugada para ler e estudar, apesar de vê-lo ter esse hábito ainda não me sentia motivada para fazer o mesmo, e sempre havia um motivo para não fazer. Só quando resolvi acordar de madrugada para ler, e aproveitar o tempo que as crianças dormem e a casa está em silêncio, foi que pude perceber o que esse simples ato fez em minha vida.

Os livros têm transformado meu modo de ver e agir em determinadas situações. Hoje me sinto mais útil, o conhecimento transforma, eleva a autoestima, vicia, quando fico um dia sem ler sinto falta, às vezes acordo cedo até nos fins de semana.

Talvez essa não seja sua realidade, talvez você ache impossível acordar as 4h da manhã, mas sei que você pode adaptar sua rotina para fazer algo que te dê prazer e que vem adiando. Que tal começar acordando 15 minutos antes do que de costume, depois vai aumentando aos poucos. O importante é deixar o despertador longe para não ficar tentado a colocar no modo soneca e voltar a dormir.

As primeiras horas do dia são as mais importantes, quando acordamos com resistência e mau humor, carregamos essa energia negativa para o resto do dia. Acorde com alegria e aproveite esse tempo para se dedicar a seu desenvolvimento pessoal, ler um livro, meditar, fazer exercícios, tem que ser um tempo exclusivo para você, esse é seu momento.

Sei o quanto é difícil modificar velhos hábitos que já estão enraizados, mas com certeza não é impossível, com força de vontade e determinação conseguimos alcançar nossos objetivos. Experimente dar um passo de cada vez, o primeiro dia tem que existir para se criar um hábito, as coisas costumam ser difíceis antes de serem fáceis. É imprescindível que você saia do lugar, nada vai acontecer se continuar parado.

 

Quanto custa a preguiça?

Trabalho de preguiçoso é dobrado, já dizia meu avô. Ele repetia essa frase sempre que percebia que não estávamos fazendo nossas tarefas com dedicação. Ainda que tal tarefa fosse apenas buscar uma bola que caiu do outro lado da cerca. E era certo, se chutássemos a bola do outro lado direto para o campo, na preguiça de levá-la com as mãos, com certeza ela bateria em uma árvore e iria para mais longe.

E lá estava meu avô assistindo ao jogo na beira do campinho de terra do sítio da família para dizer: “trabalho de preguiçoso é dobrado”. Lembrar dessa frase hoje me faz refletir: quanto custa a preguiça em nossas vidas?

Quantos momentos deliciosos a preguiça já nos roubou? Estar com os filhos, ainda que cansado, e não querer montar aquele quebra cabeça que parece não ter fim, mesmo sabendo que ao fazer isso, tal momento ficará gravado na memória dos pequenos. Nem que seja para um dia eles se lembrarem dos pequenos momentos que nós passamos juntos e das coisas banais que tantas alegrias trouxeram.

Quantas caminhadas no campo a preguiça nos levou embora. Aquele passeio no parque adiado para não se sabe quando. Quantas vezes ela já nos privou de momentos alegres, músicas que poderiam ser tocadas, comidas a serem provadas, beijos a serem dados. “Um dia a gente vai…”

Quantos dias a preguiça nos subtraiu, aquele acordar cedo que não aconteceu. Aquela hora de ir na academia que o “hoje não, só mais um pouquinho” não permitiu que acontecesse. Aquele dia na igreja que não fomos por estar chovendo e poderíamos molhar os sapatos.

Quantos momentos pequenos, únicos, banais e felizes a preguiça já nos roubou e tem roubado? Momentos de brincar, sentir o cheiro da terra, abraçar as crianças, curtir os amigos, visitar um idoso ou doente, quantos pequenos grandes momentos ela nos leva.

E quantos sonhos a preguiça já subtraiu?

Abra seus olhos! calce seu tênis! aprenda o que deve ser aprendido! estude o que vem adiando! espalhe a caixa de brinquedos no chão! suje as suas roupas e as panelas da cozinha!

A preguiça não gosta de sujeira. Não gosta de olhos sujos de remela de quem acordou cedo, nem de pés sujos de quem correu descalço ou de roupas sujas de quem rolou no chão, muito menos da camisa molhada da água da cachoeira. A preguiça não gosta do cheiro de peixe que você trouxe da pescaria, nem do cheiro de cebola das mãos depois de preparar aquele jantar.

Ela também não gosta nem um pouco do cheiro de cocô nas mãos depois de trocar a fralda do bebê, ou do cheiro de vômito nas roupas por ter que carregá-lo.

A preguiça não gosta de mãos sujas de tinta guache, nem de contar estórias à noite para dormir. Ela não gosta de bunda quadrada das horas de estudo, do cheiro de suor da camiseta, nem de sentar no chão para brincar com os pequenos.

A preguiça não gosta do fim do dia, de dar banho nas crianças, ou de ouvir o que elas têm a dizer, por mais insignificantes que pareçam. Enfim, a preguiça não gosta daquilo que torna a vida mais gostosa.

Quanto custa a sua preguiça?