Aprendizado

Fim do dia primeiro de Janeiro de 2019, pouco antes de dormir, Davi vem com uma proposta: “mamãe que tal amanhã eu ficar sem o tablet e você sem o celular, porque você só fica no celular!” e ele disse isso bem no momento em que eu colocava o meu celular para carregar. Retruquei o comentário dele é claro, mas concordei na hora com sua proposta e com um aperto de mão selamos nosso acordo.

Dia 02 de janeiro iniciou tudo normal, após às 10h da manhã, horário que normalmente permitimos que ele use o tablet, Davi me lembrou do nosso acordo, o que concordei de imediato, afirmando que ele ainda estava “de pé”.

No período da manhã, Davi fez questão de me lembrar do nosso combinado, brincou um pouco, assistiu desenho. Logo após o almoço, quando eu ainda estava sentada à mesa almoçando, ele veio se queixar que estava se sentindo entediado e desistia do nosso acordo, e eu fui firme, dizendo que não desistia, então que ele não poderia usar o tablet. Depois, comecei aquele sermão do uso controlado do tablet, do poder da palavra e do julgamento que fazemos das atitudes das pessoas, sem olhar a nossa antes. Nesse instante, André que também estava sentado a mesa disse: “isso tudo é pra você também”, na hora eu disse eu sei, mas os efeitos de suas palavras refletiram em todo meu dia.

Eu que estava cobrando do Davi menos tempo no tablet, não estava olhando para meu próprio umbigo para analisar como estava a minha relação com o meu celular, se não estava ficando tempo demais. Ao apontar o dedo para meu filho esqueci que havia outro dedo apontando para mim. Então, comecei a fazer uma autoavaliação, como havia sido meu primeiro dia do ano? será que eu havia ficado um tempo além do que deveria no celular e por isso Davi me fez essa proposta? A resposta afirmativa veio de imediato, então porque eu estava incomodada com o fato dele ficar no tablet, sendo que eu estava ficando no celular.

Nesse momento, a consciência falou mais alto, eu não estava sendo exemplo para meus filhos, eu posso dizer o que for para eles, caso minhas palavras não estejam de acordo com minhas atitudes, elas serão somente palavras ao vento, não servirão para nada.

Alí, tive a primeira lição do ano, ao querer que meus filhos modifiquem suas atitudes, tenho que modificar as minhas primeiro. Afinal, eu sou exemplo.

E como meu dia ficou mais leve sem estar o tempo todo checando o celular, quando é algo urgente a pessoa vai me ligar, e foi o que aconteceu, no período da manhã recebi uma ligação da escola das crianças, André atendeu e me passou o telefone, era só uma pendência de fácil solução.

Consegui dar mais atenção para as crianças, aproveitei melhor meu dia. Davi me disse no fim do dia que foi divertido ficar sem tablet, “mas ainda bem que o dia está acabando e amanhã estaremos livres né mamãe”. Aprendi uma grande lição com tudo isso, agora já sei como controlar melhor o tempo dele no tablet, através do meu exemplo.

A autoavaliação nem sempre é fácil, quando temos alguém que nos quer bem para nos dizer o que devemos mudar em nossas atitudes é uma grande ajuda para nossa transformação e para que as mudanças realmente aconteçam.

E eu que achei que ensinava muito a meus filhos, hoje vejo que eu aprendo muito mais, pois eles não me deixam esquecer do meu papel de mãe.

Não fiz planos no papel para o meu 2019, somente no meu coração, mas já tenho o primeiro item da lista, usar menos o celular e dar mais atenção ao que realmente importa.

Mãe maravilha

Não, eu não sou mulher maravilha, então não sou mãe maravilha. Por mais que eu tente fazer tudo sozinha, chega um momento que não dá mais, o corpo e a mente dizem chega e tenho que parar.

O duro é que o momento do pare não é tão fácil perceber, e que por mais que eu tente negar as crianças não deixam. Quando os filhos estão nervosos, estressados, carentes e/ou tristes o problema pode não estar neles.

Nos últimos dias as crianças estavam estressadas, briguentas e dengosas e foi só quando em um momento que perdi a paciência e gritei com eles que percebi que eu era o problema, errei ao fazer isso, porque eles só estavam refletindo o meu estado emocional.

Aí vem o que é prioridade, por mais que eu queira fazer mil coisas ao mesmo tempo, eles vêm me lembrar o que deve ser prioridade ao clamarem por atenção. E eles merecem não só a minha atenção, mas também o meu melhor, a melhor mãe do mundo. Não uma mãe que queira dar conta de tudo e sim uma que saiba que há tempo para tudo e que nesse momento eles devem e precisam ser a minha maior prioridade.

Eles precisam de uma mãe que não é perfeita, que tem consciência que o feito é melhor que perfeito, não que seja feito de má vontade, mas que há coisas que precisam somente serem feitas. Uma mãe que erra, mas que sabe reconhecer seu erro e que se esforça para ser melhor todos os dias, por eles e por ela mesma. Uma mãe que apesar dos seus milhares de defeitos, educa-os de forma a aprenderem que todos os dias temos a oportunidade de mudar.

Não, eu não sou mãe maravilha, apesar de amar dar e ganhar beijos e abraços, já os neguei em um momento de irritação e estresse. Quando estou assim, percebo que o melhor a fazer é me afastar, pois quando reajo automaticamente sem pensar, as chances da bronca ser maior do que deveria ser é muito grande, e ao invés dela ser educativa, deixa feridas que demoram a cicatrizar.

Apesar de ser cabeleireira, manicure, costureira, professora, cozinheira, doméstica, psicóloga e demais papéis que uma mãe desempenha para seus filhos, não sou mãe maravilha, pois tem hora que não consigo continuar e preciso puxar o freio de mão. Ao estabelecer prioridades vem junto renúncia, compreensão e empatia, só vou conseguir que meus filhos saibam o significado dessas palavras, caso eu as pratique de forma natural e amável.

Não, eu não sou mãe maravilha, por mais que eu queira saber de tudo, saber sempre como agir, por vezes não sei o que fazer. Já fiz terapia para encontrar respostas. Soluções procuro-as nos livros, nem sempre as encontro, aí uso meu instinto materno, sempre funciona? Infelizmente não, mas quando agimos com amor, no fim tudo dá certo.

Meus filhos estão crescendo e estão vendo que apesar da mãe deles possuir alguns poderes como a força para carregar os filhos, bolsa e sacolas tudo ao mesmo tempo; o olhar que consegue detectar a distância que tem algo de errado com eles; a agilidade para salvá-lo antes de cair, tirá-los do perigo; a coragem para enfrentar o que for necessário para protegê-los; meu maior poder é de acalmar com um abraço e curar com um beijo.

Sou uma mãe em construção, já mudei muito ao desempenhar esse papel, sei que há ainda muito a fazer, sem fórmulas e nem regras rígidas, vou seguindo, um dia de cada vez, descobrindo todos os dias o que é ser mãe, aprendendo mais do que ensinando.

Meus filhos estão dizendo através de suas atitudes que eles não querem uma heroína, e sim somente uma mãe. Uma mãe que sente no chão para brincar, que pinte, que assista desenhos e filmes com eles (por mais que seja a milésima vez que eles assistam o mesmo filme), que esteja totalmente presente, de corpo e alma. Enfim, uma mãe humana, que seja simplesmente mãe .