Cuide dos pais antes que seja tarde – Fabrício Carpinejar

Nós pais nos cobramos muito no sentido de cuidar dos nossos filhos, queremos ser os melhores pais, amigos, companheiros, dar muito amor e é claro queremos receber muito amor também. Porém, conforme os filhos vão crescendo eles vão se distanciando de nós, arranjam namorada (o), tem seus amigos, não querem sair mais conosco, reclamamos,  sofremos, mas esquecemos que também fomos filhos assim, que muitas de suas atitudes são iguais a que tivemos na mesma idade.

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O poder do eu te amo – Marcos Piangers

A primeira vez que ouvi eu te amo do André fiquei muda, não sabia o que dizer, nunca tinha dito ou ouvido de um homem, ainda não havia amado alguém, namorávamos já algum tempo e estava apaixonada por ele, mas ainda não sabia dizer se era amor, então resolvi me calar (ainda bem que ele não considerou isso uma rejeição).

André me ensinou o que é o amor, não só entre um homem e uma mulher, mas também de pais e filhos, a relação amorosa que ele sempre teve com seus pais, irmã e familiares de uma forma geral me ensinou o “poder do eu te amo”. Um poder que transforma, conforta, ameniza, alegra, supera, traz paz, confiança, aconchego…

Meus pais nunca foram muito de me dizer eu te amo quando criança, apesar de sentir o amor deles através de suas atitudes, a criação que eles tiveram de meus avós não permitia muito isso, nem sei se alguma vez eles ouviram essa frase de seus pais.

Depois que comecei a namorar André (há 17 anos), percebi o quanto o “eu te amo” aproxima e comecei a falar para meus pais. No começo minha mãe só dizia “eu também”, hoje ela já diz “eu também te amo”. Essa pequena frase também me aproximou mais de minhas irmãs e sobrinhos. É muito bom sentir-se amada! E quando ouvimos de quem amamos um eu te amo, carregado de sentimentos, faz toda diferença.

Todos os dias, várias vezes ao dia, eu e André falamos para as crianças o quanto a amamos, que na maioria das vezes vem acompanhado com um abraço e um beijinho. Fazemos questão de demonstrar nosso amor por eles não somente em palavras, mas em gestos também. Outro dia, mandei na lancheira um recadinho para Davi e para Luana, e recebi o seguinte recadinho da professora do Davi na agenda: “Bom dia, família! Hoje nosso pequeno Davi se emocionou com o recadinho de amor, durante o lanche! Parabéns pela iniciativa. Ele realmente se sentiu amado. Segue foto em anexo.”

E é esse poder transformador que Marcos Piangers fala em seu livro “O poder do eu te amo”, ao contar um pouco de sua vida e do que essa frase já o transformou e transformou pessoas, fortalecendo relacionamentos.

“Nunca imaginei que amolecer meu coração transformaria o mundo em um lugar mais suave. Que o amor é contagiante. Avisem por aí. O mundo está cheio de pessoas boas. Se você não consegue encontrá-las, seja uma.”

De rápida leitura e um enorme significado, o mais bacana do livro é a reflexão que ele nos traz, como é bom se sentir amado e que nunca é tarde para começar a praticar.

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Aprendizado

Fim do dia primeiro de Janeiro de 2019, pouco antes de dormir, Davi vem com uma proposta: “mamãe que tal amanhã eu ficar sem o tablet e você sem o celular, porque você só fica no celular!” e ele disse isso bem no momento em que eu colocava o meu celular para carregar. Retruquei o comentário dele é claro, mas concordei na hora com sua proposta e com um aperto de mão selamos nosso acordo.

Dia 02 de janeiro iniciou tudo normal, após às 10h da manhã, horário que normalmente permitimos que ele use o tablet, Davi me lembrou do nosso acordo, o que concordei de imediato, afirmando que ele ainda estava “de pé”.

No período da manhã, Davi fez questão de me lembrar do nosso combinado, brincou um pouco, assistiu desenho. Logo após o almoço, quando eu ainda estava sentada à mesa almoçando, ele veio se queixar que estava se sentindo entediado e desistia do nosso acordo, e eu fui firme, dizendo que não desistia, então que ele não poderia usar o tablet. Depois, comecei aquele sermão do uso controlado do tablet, do poder da palavra e do julgamento que fazemos das atitudes das pessoas, sem olhar a nossa antes. Nesse instante, André que também estava sentado a mesa disse: “isso tudo é pra você também”, na hora eu disse eu sei, mas os efeitos de suas palavras refletiram em todo meu dia.

Eu que estava cobrando do Davi menos tempo no tablet, não estava olhando para meu próprio umbigo para analisar como estava a minha relação com o meu celular, se não estava ficando tempo demais. Ao apontar o dedo para meu filho esqueci que havia outro dedo apontando para mim. Então, comecei a fazer uma autoavaliação, como havia sido meu primeiro dia do ano? será que eu havia ficado um tempo além do que deveria no celular e por isso Davi me fez essa proposta? A resposta afirmativa veio de imediato, então porque eu estava incomodada com o fato dele ficar no tablet, sendo que eu estava ficando no celular.

Nesse momento, a consciência falou mais alto, eu não estava sendo exemplo para meus filhos, eu posso dizer o que for para eles, caso minhas palavras não estejam de acordo com minhas atitudes, elas serão somente palavras ao vento, não servirão para nada.

Alí, tive a primeira lição do ano, ao querer que meus filhos modifiquem suas atitudes, tenho que modificar as minhas primeiro. Afinal, eu sou exemplo.

E como meu dia ficou mais leve sem estar o tempo todo checando o celular, quando é algo urgente a pessoa vai me ligar, e foi o que aconteceu, no período da manhã recebi uma ligação da escola das crianças, André atendeu e me passou o telefone, era só uma pendência de fácil solução.

Consegui dar mais atenção para as crianças, aproveitei melhor meu dia. Davi me disse no fim do dia que foi divertido ficar sem tablet, “mas ainda bem que o dia está acabando e amanhã estaremos livres né mamãe”. Aprendi uma grande lição com tudo isso, agora já sei como controlar melhor o tempo dele no tablet, através do meu exemplo.

A autoavaliação nem sempre é fácil, quando temos alguém que nos quer bem para nos dizer o que devemos mudar em nossas atitudes é uma grande ajuda para nossa transformação e para que as mudanças realmente aconteçam.

E eu que achei que ensinava muito a meus filhos, hoje vejo que eu aprendo muito mais, pois eles não me deixam esquecer do meu papel de mãe.

Não fiz planos no papel para o meu 2019, somente no meu coração, mas já tenho o primeiro item da lista, usar menos o celular e dar mais atenção ao que realmente importa.

Mãe maravilha

Não, eu não sou mulher maravilha, então não sou mãe maravilha. Por mais que eu tente fazer tudo sozinha, chega um momento que não dá mais, o corpo e a mente dizem chega e tenho que parar.

O duro é que o momento do pare não é tão fácil perceber, e que por mais que eu tente negar as crianças não deixam. Quando os filhos estão nervosos, estressados, carentes e/ou tristes o problema pode não estar neles.

Nos últimos dias as crianças estavam estressadas, briguentas e dengosas e foi só quando em um momento que perdi a paciência e gritei com eles que percebi que eu era o problema, errei ao fazer isso, porque eles só estavam refletindo o meu estado emocional.

Aí vem o que é prioridade, por mais que eu queira fazer mil coisas ao mesmo tempo, eles vêm me lembrar o que deve ser prioridade ao clamarem por atenção. E eles merecem não só a minha atenção, mas também o meu melhor, a melhor mãe do mundo. Não uma mãe que queira dar conta de tudo e sim uma que saiba que há tempo para tudo e que nesse momento eles devem e precisam ser a minha maior prioridade.

Eles precisam de uma mãe que não é perfeita, que tem consciência que o feito é melhor que perfeito, não que seja feito de má vontade, mas que há coisas que precisam somente serem feitas. Uma mãe que erra, mas que sabe reconhecer seu erro e que se esforça para ser melhor todos os dias, por eles e por ela mesma. Uma mãe que apesar dos seus milhares de defeitos, educa-os de forma a aprenderem que todos os dias temos a oportunidade de mudar.

Não, eu não sou mãe maravilha, apesar de amar dar e ganhar beijos e abraços, já os neguei em um momento de irritação e estresse. Quando estou assim, percebo que o melhor a fazer é me afastar, pois quando reajo automaticamente sem pensar, as chances da bronca ser maior do que deveria ser é muito grande, e ao invés dela ser educativa, deixa feridas que demoram a cicatrizar.

Apesar de ser cabeleireira, manicure, costureira, professora, cozinheira, doméstica, psicóloga e demais papéis que uma mãe desempenha para seus filhos, não sou mãe maravilha, pois tem hora que não consigo continuar e preciso puxar o freio de mão. Ao estabelecer prioridades vem junto renúncia, compreensão e empatia, só vou conseguir que meus filhos saibam o significado dessas palavras, caso eu as pratique de forma natural e amável.

Não, eu não sou mãe maravilha, por mais que eu queira saber de tudo, saber sempre como agir, por vezes não sei o que fazer. Já fiz terapia para encontrar respostas. Soluções procuro-as nos livros, nem sempre as encontro, aí uso meu instinto materno, sempre funciona? Infelizmente não, mas quando agimos com amor, no fim tudo dá certo.

Meus filhos estão crescendo e estão vendo que apesar da mãe deles possuir alguns poderes como a força para carregar os filhos, bolsa e sacolas tudo ao mesmo tempo; o olhar que consegue detectar a distância que tem algo de errado com eles; a agilidade para salvá-lo antes de cair, tirá-los do perigo; a coragem para enfrentar o que for necessário para protegê-los; meu maior poder é de acalmar com um abraço e curar com um beijo.

Sou uma mãe em construção, já mudei muito ao desempenhar esse papel, sei que há ainda muito a fazer, sem fórmulas e nem regras rígidas, vou seguindo, um dia de cada vez, descobrindo todos os dias o que é ser mãe, aprendendo mais do que ensinando.

Meus filhos estão dizendo através de suas atitudes que eles não querem uma heroína, e sim somente uma mãe. Uma mãe que sente no chão para brincar, que pinte, que assista desenhos e filmes com eles (por mais que seja a milésima vez que eles assistam o mesmo filme), que esteja totalmente presente, de corpo e alma. Enfim, uma mãe humana, que seja simplesmente mãe .

O cérebro da criança – Daniel J. Siegel e Tina Payne Bryson

Todos os dias enfrentamos vários desafios para educar nossos filhos e muitas vezes não sabemos como agir em relação a determinadas atitudes de forma a não prejudicar o relacionamento familiar.

Daniel e Tina vem nos mostrar que ao procurarmos entender o que se passa no cérebro de nossos filhos podemos ajudá-los a ter uma vida emocional e intelectual mais saudável, e eles fazem isso através de dicas simples de como agir em determinadas situações.

Os ensinamentos do livro vão além de apenas entender o que se passa com nossas crianças, fazendo nós adultos refletirmos como andam nossos comportamentos não somente em relação a nossos filhos, mas também a nós mesmos.

O fato é que precisamos aproveitar todas as oportunidades que temos para ensinar algo a nossas crianças, como em uma discussão ouvir o ponto de vista do outro e comunicar os nossos desejos de maneira clara e respeitosa.

Algumas dicas do livro são, por exemplo, no caso de uma crise tentar tranquilizá-la e ajudá-la a desviar a atenção para outra coisa.

Já no caso de uma birra, oferecer limites mostrando as consequências de suas atitudes e a controlar impulsos. Conectar e redirecionar, ajudando-a a se acalmar e afastando-a do caos.

Vejo o quanto é essencial aprendermos controlar nossas emoções e expressar nossos sentimentos, e assim ensinar nossos filhos a fazerem o mesmo. As emoções e sentimentos são um estado momentâneo e não uma característica da personalidade, aí está a importância de dizer “você está e não você é de tal maneira”, jamais diga ou permita que seu filho diga “eu sou burro”, “eu sou desastrado” ou qualquer outro rótulo que possa diminui-lo.

Para querer que nossos filhos tenham mais empatia, precisamos nós pais proporcionar-lhes experiências que os levem a pensar mais nos outros. Pensar em suas atitudes e nas consequências delas.

Nossos filhos são como esponjas, além de captar nossos sentimentos, eles costumam agir da mesma forma que nós. Portanto, caso eles estejam tendo alguma atitude inapropriada procure certificar-se que não faz o mesmo, antes de querer recriminá-lo.

Uma dica importante do livro é como reagir em momentos de raiva: usar a visão mental, focar a respiração, tomar água, dar um tempo e alongar ou parar um instante para se recompor. Após conectarmos conosco podemos conectar com nossos filhos, respondendo a eles de forma a estabelecer limites claros e conscientes e, se necessário, reparar qualquer ruptura em nosso relacionamento.

“Os tipos de relacionamentos que nossos filhos vivenciam estabelecerão o modo como se relacionarão com os outros pelo resto da vida. Quanto mais apreciarem o tempo que passam com você e o restante da família, mais valorizarão os relacionamentos e desejarão mais experiências relacionais positivas e saudáveis no futuro.”

Os conflitos entre irmãos são comuns, mas eles não podem ser maiores do que os momentos de diversão que passam juntos. Quanto mais eles se divertem juntos quando criança, maior e melhor será o relacionamento deles quando crescerem, segundo o livro.

Nosso estado mental pode influenciar o estado mental de nossos filhos, quando estamos irritados podemos passar essa irritação a eles, já quando eles estão irritados nós adultos temos o poder de transformar a chateação e irritabilidade em diversão, risos e conexão e assim evitar que aja quebra da paz do lar.

Quando os pais reagem sensivelmente as emoções e as necessidades dos filhos, estes prosperam social e emocionalmente.

Apesar de muitas vezes sentirmos vontade de colocar nossos filhos em bolhas, assim evitarmos que errem e que sofram, agindo desse modo não permitiremos que eles cresçam e evoluam. Nossa responsabilidade é estar presente e ajudá-los a enfrentar todas as adversidades que aparecerem.

No fim do livro os autores apresentam uma ficha para ser destacada e colocada na geladeira, nela há um pequeno resumo do livro de forma que os pais possam consultá-la com facilidade quando acharem necessário. Há também tabelas que podem ser usadas como referência para usar as doze estratégias do cérebro por inteiro a cada nova idade e fase de seu filho.

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